Redes Sociais: Mais debates e menos disputas

Por Paulo Sergio 13/01/2020 - 13:54 hs

Com um município marcado pela descrença política, discussões sobre política e visões de sociedade se espalham por inúmeras esferas de nossas vidas.

Navegar pelas conversas do Facebook e Whatsapp mostra o quão obsoleto ficou o antigo dito popular de que “futebol, religião e política não se discute”.


Nas reuniões em família e encontros entre amigos, então, fala-se de política como nunca. E muitas vezes laços afetivos de anos se desgastam por conta das divergências. O problema é que parte considerável dos embates entre ideias diferentes se caracteriza quase sempre por dois monólogos andando em paralelo, com o reconhecimento da outra parte ocorrendo apenas através de ofensas ou sarcasmo.

Muito se fala, e pouco se ouve. Muito se prega, pouco se debate. E quando há troca, esta acontece menos como debate e mais como disputa, sempre com cada lado buscando ter a última palavra e “vencer”.

Ao contrário do que muitos imaginam, bons debates servem para construir conhecimento e não disputar. São oportunidades para que fatos e ideias circulem e sejam colocadas à prova. O filósofo grego Aristóteles descreveu a prática como “encontros dialéticos entre pessoas que participam de argumentos não com o propósito de competir, mas para testes e investigação”.

“Em todos os debates, deixe a verdade ser seu objetivo, não a vitória ou um interesse injusto”, disse com otimismo o filósofo e colono norte-americano William Penn. É fácil encontrar por aí aconselhamento de como “vencer” um debate (incluindo aí o clássico e sarcástico “Como vencer um debate sem precisar ter razão”, do filósofo Arthur Schopenhauer), mas não é o que propomos aqui.


Convencer o outro lado de que há razão em seus pontos pode ser uma das consequências. Assim como a preservação de amizades e relações familiares.

Se sua intenção é debater em alto nível,  deixe de lado o sarcasmo, a ironia, o deboche, o xingamento, o famigerado CAPS LOCK, e as muitas exclamações e interjeições.